terça-feira, 21 de abril de 2026

Coletânea

Escrita dia 21/04/2026
somente para registro


Começando pelo início

com tudo que há de vir

contou histórias mirabolantes

centenas delas, uma mais maluca que outra

confidenciou segredos públicos

criou personas de todo tipo

catalogou seus devaneios

correu de medo de si

caiu vezes tantas, joelhos ralados

cantou suas agruras

corou ao admitir suas derrotas

cavou fundo na alma

cuspiu ao mundo mentiras absolutas

coreografou suas vitórias

caçou seus fantasmas e os diluiu

com maestria viveu bem dentro e fora de si

condensou seus caminhos 

coletânea de vida, num único volume

chorou relembrando tudo

chorou de soluçar, sem solução

cadeira de balanço testemunha

chiou, cochilou...

contornou o tempo da melhor forma que sabia

cópia fiel dos desejos profundos 

coração norteou tudo e por fim, viveu!

Beatriz

Escrita dia 20/04/2026
somente para registro


Brandiu serena sua taça no ar

bebeu um generoso gole

brincou com seus cabelos

balançou os pés na água

buscou no horizonte alguma esperança

brisa que trouxesse novidade

balbuciou algo que a fez sorrir sozinha

bailou uma valsa inteira

buscando na memória algo que aquecesse

bem firme segurou a própria mão

burilou no metal da alma uma antiga memória

bebeu mais um gole da taça

brevemente ébria, adormeceu

brindou seu mais doce sonho e no sono

buscou conceber tudo aquilo que desejava

benéfico cochilo, reparação

benfazeja recuperação, rumou para casa

balbuciando sua solidão, destino...

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Fogo de ébano

 somente para registro
poesia escrita 16/04/2026


Quando ela entrou por aquela porta, 

os anjos pararam, se arrepiaram

até o relógio perdeu a cadência

uma indecência de mulher

até o gelo inflamou

Cada passo seu é um desfile inteiro

e eu, na borda do desfiladeiro

não pude resistir, pulei!

nesse oceano cheio de curvas

uma energia absurda,

um magnetismo que facilmente

mudaria os pólos da terra

e esses olhos cor de mel?

me levaram perto do céu

pra entender: no dia que ela cruzou

fez a terra ser cortejada pelo sol

(nem ele resistiu)

por que eu, mero mortal , resistiria?

e quando sussurrou, a melodia da sua voz

foi algo docemente atroz

me tremeram as pernas, 

os anjos, outra vez, arrepiaram

pra voar se atrapalharam

na presença do mais lindo anjo

um monumento de ébano

revestido da mais pura seda

que por aquela porta entrou!

domingo, 12 de abril de 2026

Sutileza

 escrita dia 12/04/2026, postada somente para registro

até que possamos nos encontrar de novo

em outra era, em outro tempo

me beija como se isso não fosse acontecer

me abraça como se não fosse mais soltar

me ama como se só isso existisse

traz pra dentro tudo que há de bonito lá fora

e me leva pra ver o mundo com teus olhos

me deixa voar nos teus céus

levado pela brisa que sabe bem 

aonde queremos chegar

mesmo com planos imperfeitos, inacabados

tal qual somos desde o início de tudo

na sutileza que só desencontros possuem

pra que eu seja teu, e tu, seja minha

encorajando uma fuga num meio de semana

sem mandar em nada, conquistando tudo

até que possamos nos encontrar de novo

que eu seja tua riqueza e tu, meu tesouro

acima do pó, abaixo do firmamento

pra que todo choro triste, afinal, se justifique

pra que naquele rio imenso que flui

eu possa nadar sem afogar e fim

que no fogo que arde e tudo aquece, 

a chama jamais se apague

pra que feito o sangue nas veias

possamos ir por aí, correndo sem medo

e que mesmo que a estrada acabe

que nunca finde o amor

até que possamos nos encontrar de novo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...