domingo, 5 de abril de 2026

O Mestre

 somente para registro
poesia escrita dia 05/04/2026

Ele lançou as sementes e com amor mostrou o caminho nós ainda insistimos em dissimular que as maiores batalhas são criadas pelo homem vil erguemos monumentos à guerra por toda terra e os monumentos ao amor, onde estão?

Ele veio humilde, profundo tão sublime, e tão, tão humano alma elevada, enlevada, radiante o mestre maior, que sabia de cór sobre a maldade e falibilidade e em cada queda ao seu redor só sabia estender a mão

pai, filho, irmão tão superior, tão igual o mestre de tudo, nunca julgou nenhuma pedra lançou só amor e mais amor está aqui, aí, em cada sopro e suspiro

reluz em nosso interior nos sustenta e nos alivia e mesmo quando o choro insiste em rolar pela face o calor do sol que emana dele, nos afaga escolheu os piores normais possíveis pra que o exemplo fosse estendido além do tempo

a ti, sempre agradeço Mestre Jesus Amém...

Mar de gente

 somente para registro
poesia escrita dia 05/04/2026

naufraguei em mim, quase me afoguei no ímpeto de chegar em terra firme fui com muita sede ao pote, nadei até fatigar minh'alma despida sob o sol suspirou em esperança, numa dança estranha num ritmo que nem sei dançar

só fui, me entreguei, quase pereci mas como que por obra perfeita cheguei numa ilha, depois de tanto seduzido pelo canto da sereia flutuei meio sem fôlego, pisei na areia esperei, esquecido, pedi socorro

e nada, nada... só o vento, sacudindo meus galhos avivando as brasas que me corroíam fui açoitado pelas tempestades que o oceano brindou altas ondas monstruosas, gigantescas

e dia seguinte, sol radiante, brisa mansa uma dança estranha num ritmo que nem sei dançar nisso, ganhei força, confiança

me lancei ao mar de novo, na esperança de que um dia, encontre o tom de viver na civilização sem quase afogar em meio ao mar de gente...

Realeza Ancestral

somente para registro
poesia escrita dia 05/04/2026


Houve um tempo, em que todos éramos negros

mas aí, por alguma razão, empalidecemos

decrescemos a escala de cor e de nobreza

e uma ou outra estúpida europeia realeza,

achou que seria ideal escravizar, subjugar e desmerecer o tom da pele

matar sem distinção, ignorando a nobre pigmentação

a nossa mãe veio imponente, decente, majestosa

guerreira grandiosa, que abençoou gerações

na África, primeira e relevante

aí, a falta de decência, matou pra roubar e pilhar

colocou algemas, calou milhares marcando peles

como se reles e vis fossem, reduzidos a pedaços de carne

sem conteúdo, um absurdo sem fim

até hoje isso ressoa, até hoje isso magoa

talvez não sejamos iguais, até porque

pra ser igual, teríamos de ser reis por direito

nunca por imposição, batalhando apenas pelo justo

mas veja, a que custo dominamos tudo?

Olha o absurdo em que vivemos

isso ainda ressoa, dói no peito, a lástima ecoa, corrói

o preconceito latente, cada vez mais

a necessidade de poder a todo custo, custou muito

de tantos que ficaram pelo caminho

perecendo pra que outros tantos

pudessem do outro lado do oceano chegar

carregando a genética e o pigmento

hoje, o alento é fazer o possível

pra que o que parecia impossível há tão pouco tempo

seja realidade e nossa majestade, mãe África

sob o sol volte a reinar

Seremos

 Poesia escrita dia 05/04/2026, postada aqui somente para registro

em tantas vidas quase esbarramos, e nesses desencontros, desvios, esquinas que o vento nos empurrou e assim, fomos indo, milênios de distância, tão próximos que o pensamento unia e a palma da mão não alcançava...

eu te vi, em devaneios, em sonhos, te alcancei, enlacei minha alma na tua e na derme, o tempo nos corroeu, a eternidade riu de nós, o sol secou nossas raízes e perecemos diante de tudo

mas além do véu somos e seremos, ainda que o universo conspire pra um jamais, somos e seremos, ainda que o sol apague, somos e seremos, mesmo que tudo se dilua e evapore, mesmo que a eternidade possa colapsar,

no beijo etéreo, em vultos que não se veem mas se sentem, somos e seremos, mesmo que tudo se transforme em nada, ainda estaremos, ainda seremos

e além da escuridão, mesmo de olhos fechados nos veremos, nos suspiros sob a chuva, nos desencontros que a eternidade desenhou, somos e seremos.

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