sábado, 24 de março de 2012
Pensamento
Como nasceu o amor?
Foi de uma dor que se recusou a doer?
De um silencio que parou de ser
e se fez som?
Como viveu o primeiro sorriso?
Surgiu para acabar com o abismo
ou apenas para aproveitar
a moldura do batom?
Quando surgiu o brilho no olhar?
Foi quando uma lagrima desceu sem notar
ou foi quando o sol refletiu na retina
intenso e sem par?
E o abraço, veio de onde?
Se fez para dispensar o laço
sem fazer fita ou criou uma situação
em que dois corpos, unidos, se escondem?
O carinho então, do que se fez?
surgiu de mansinho,
sem forçar nada, íntimo,
pra dar coragem a timidez?
O sonho nasceu do desejo?
Ou simples se faz assim, sem ensejo de ser
mais do que pode e vem sem pretensão
antes que se acorde?
E o silencio?
Quieto que só, se apresenta assim, na resignação
somente para ir de encontro ao nada
lentamente, sem mapa nem estrada?
Rô Olem
quinta-feira, 8 de março de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Tempo, tempo
O Tempo é cortina
fumaça que dissipa
dores, cores, esperanças
tranca porta, trancafia
desfia o vigor
desafia o ser
O que aconteceu há anos, foi ontem
o que acontecerá amanhã, também
tempo é maquina imparável, é um trem
Tempo silencia vidas,
usurpa dias, corre carreira
explana dúvidas
O tempo é convenção
humano, preso ao chão
a alma é bem maior, atemporal
O "tempo" fecha escuro: temporal
O tempo para: momento sem igual!
Mistura fina, mal dividida
um dia , desabrocha margarida
flores caem, chuva também
Com o tempo não há barganha,
vai sem perguntar se queremos ir junto
leva de arrasto, deixa rastro
e quem briga com ele, sempre apanha.
Rô Olem
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Crônica de um coração que se foi
Ele acordou, abriu os olhos, olhou pro lado da cama e ela não estava ali...
Levantou, escovou os dentes, talvez tenha tomado café.Se arrumou e saiu pensando em mais um dia em que estava começando.
Antes de abrir a porta suspirou.
Andou por ruas diferentes naquele dia, sentia que precisava de um novo caminho.
No trabalho, sorria e conseguia ser simpático e educado apesar de sentir que algo estava estranho.
Na volta pra casa, via muita gente mas sequer entendia o que elas diziam pois o pensamento vagueava distante....
Subiu os degraus sem muita empolgação mas mesmo assim estava em casa novamente.
Só no momento em que olhou no espelho que percebeu a triste realidade: tinha vivido o dia todo sem coração.
Procurou dentro dos móveis, chamou, olhou debaixo da cama: só o silêncio respondia...
Nem precisou pensar muito pra entender que, depois de tanto tempo acompanhado, ele já não sabia mais ser só e quando percebeu que isso acontecera, partiu e vaga por aí, na esperança de ainda reencontrar o calor que o aquecia, quem sabe na beleza da lua cheia ou simplesmente num "eu te amo" terno que só aquela voz conseguia imprimir....
Rô Olem
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